14 de março de 2012
Partidos Políticos tem baixa representatividade feminina nas Comissões Executivas
Íntegra do pronunciamento da jornalista Katiuscia Freitas na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Divinópolis/MG sobre várias questões relacionadas às mulheres.
Boa tarde a todos os cidadãos que acompanham pela TV mais esta Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Divinópolis/MG. Boa tarde senhor presidente, demais vereadores, público aqui presente, colegas da imprensa, servidores desta casa, boa tarde.
Na semana passada comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Uma data para pensarmos o verdadeiro papel da mulher em nossa sociedade. As mulheres hoje são 51% da população, somos maioria dos eleitores, e mesmo assim nossa sociedade, em vários segmentos ainda é voltada para os homens.
Em pleno Século 21 as mulheres ainda sofrem de violência doméstica em todas as suas formas. As denúncias de violência doméstica tem chegado, mas a cultura da violência ainda não acabou. Muitas mulheres, devido a pouca escolaridade, falta de formação profissional, cultura social de submissão ao homem, baixa auto estima, dependência financeira, ameaça, dentre outros fatores, ainda permanecem em situação degradante.
Muitos profissionais que lidam diretamente com atendimento à mulher em situação de violência não estão bem preparados para a tarefa. Policiais, profissionais de saúde, muitas vezes, criticam e deixam a entender que a mulher está apanhando porque quer, que é só largar o companheiro. Se fosse tão fácil, certamente todas estas mulheres já teriam abandonado um relacionamento doentio.
Nossa sociedade avançou e temos hoje várias mulheres como chefes maiores de um país, como aqui no Brasil temos a presidenta Dilma. Mas a representação feminina no congresso nacional é baixíssima. Apenas 12% dos nossos representantes no Congresso Nacional são mulheres e esta tendência acontece também nos estados e municípios, ficando em média, em apenas 8% o número de mulheres eleitas no país. Aqui em Divinópolis vemos claramente esta situação: de 13 vereadores, temos apenas uma mulher. Porque?
Certamente em todos os partidos temos mulheres capazes para disputar uma vaga no poder Legislativo Municipal, mas como eu disse no princípio, nossa sociedade é feita para os homens. Dos 25 partidos registrados aqui em Divinópolis, apenas em 4 deles temos uma mulher como presidente. Somando todos os membros das Comissões Executivas destes partidos, são 124 pessoas e apenas 28 mulheres estão nos principais cargos dos partidos, e geralmente no cargo de secretária ou algum setor específico para mulher. Isso significa pouco mais de 22%. Porque as mulheres só chegam até secretárias? Homens não sabem escrever atas e correspondências ou é preconceito mesmo? Dos 25 partidos, em 8 NÃO TEM NENHUMA mulher na Comissão Executiva.
O PPS é um dos partidos que dá atenção e valoriza a mulher realmente e não apenas nos discursos. Aqui em Divinópolis temos uma mulher como presidente e dos sete membros, três são mulheres.
Você que está em casa, no trabalho, e não entende muito de política, sabe qual é o reflexo da baixa representatividade das mulheres nas direções dos partidos? O reflexo é que a maioria dos esforços dos partidos, capacitação, formação política, investimento financeiro nas campanhas vão para os homens.
Em uma sociedade evoluída não deveríamos ter a necessidade de cotas, mas no Brasil ainda é preciso. Que todos os partidos de Divinópolis lancem como candidatas nas próximas eleições o mínimo de 30% de mulheres, mas que não façam apenas a indicação de nomes para preencher legenda como acontece normalmente. Que as mulheres recebam a mesma atenção e formação política, e principalmente os mesmos recursos financeiros que são investidos nos homens, para concorrerem em pé de igualdade.
Está comprovado que a mulher é mais sensível, se preocupa mais com o próximo, é menos corrompida e corrompe menos do que os homens. A mulher é dinâmica, consegue ser a profissional que sai de casa para ganhar o seu sustento, cuida da casa e de toda família. As mulheres não merecem ser tratadas com desprezo pelos partidos políticos como acontece muitas vezes em nosso país. Esta na hora disso mudar!
O Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres elegeu recentemente em uma reunião idônea, cumprindo todos os protocolos, suas novas representantes da sociedade civil e possivelmente nos próximos dias a nova direção do conselho será empossada.
Assim que a nova diretoria do conselho tomar posse uma das primeiras ações será a elaboração do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres, nos moldes dos planos estaduais e nacionais de políticas para as mulheres, a partir de audiências públicas; para saber das próprias mulheres, de todos os setores da sociedade; saber de quem realmente sofre, o que precisa melhorar.
A elaboração deste Plano Municipal de Políticas para as Mulheres está prevista no Plano de Governo do prefeito Vladimir e, sabendo de sua sensibilidade, a nova diretoria do conselho deverá ser empossada em breve para que já comece a realizar as audiências.
Para finalizar gostaria de falar sobre o programa Minha Casa, Minha Vida, que devido a minha profissão e confiança das pessoas com quem trabalho, venho acompanhando bem de perto cada etapa vencida. Só quem paga aluguel há muitos anos, como eu pago há mais de 12 anos e tenho 3 filhos, é que pode realmente dar valor a esse programa. Através das entrevistas que realizei, dezenas de entrevistas, pude acompanhar a ansiedade das pessoas pela realização do sonho da casa própria e também a felicidade das que já receberam. Fiz muitas amizades, fui convidada e visitei a casa de muitas mães de família que já receberam suas casas no residencial Vila das Roseiras.
Se Deus quiser estarei presente no mês de maio na entrega das 311 casas no Residencial Elizabeth Nogueira e no dia 01 de junho estarei com as outras 497 famílias, pois eu serei a outra a receber minha casa. Das ações mais efetivas de um governo, a realização do sonho da casa própria é, talvez a mais palpável para as famílias carentes. É com a casa própria que as famílias podem sair do aluguel e sobra mais dinheiro para dar um pouco mais de dignidade às famílias que contam as moedas para pagar as despesas do
Senhor presidente, gostaria de agradecer a cessão deste espaço, e dizer a todos que os dados relacionados aos partidos políticos de Divinópolis, aqui mencionados, foram retirados do site do Tribunal Superior Eleitoral, partido a partido. Obrigada e tenham todos uma boa tarde.
MP transfere imóvel do Minha Casa, Minha Vida para mulher em caso de divórcio
A Câmara analisa a Medida Provisória 561/12, que transfere a
propriedade de imóveis financiados pelo programa Minha Casa, Minha Vida
para a mulher em caso de separação, divórcio ou dissolução de união
estável.
Segundo o governo, a norma sinaliza a importância dada à mulher nas
iniciativas sociais. Pelos dados do programa, 47% dos contratos da
primeira etapa do Minha Casa, Minha Vida foram assinados por mulheres.
A nova regra não será aplicada, no entanto, quando o casal tiver
filhos e a guarda deles após a separação for dada exclusivamente ao pai.
Nessa hipótese, a propriedade do imóvel comum será transferida para o
homem. Também ficam de fora da mudança prevista na MP as casas do
programa cuja aquisição tenha envolvido recursos do Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS), que, por essa razão, possuem regras próprias.
O texto também permite que as mulheres de todas as faixas de renda
entrem no Minha Casa, Minha Vida sem a necessidade de assinatura dos
maridos. A medida já existia, mas era limitada às mulheres chefes de
família, com renda familiar mensal inferior a R$ 1.395.
Tramitação
A medida provisória será analisada pelo Plenário. O texto passará a trancar a pauta da Casa onde estiver tramitando (Câmara ou Senado) a partir de 23 de abril.
A medida provisória será analisada pelo Plenário. O texto passará a trancar a pauta da Casa onde estiver tramitando (Câmara ou Senado) a partir de 23 de abril.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Falta acordo para projetos sobre igualdade de gênero no trabalho
Três pontos considerados polêmicos ainda devem ser discutidos pelos
líderes partidários antes que os projetos que garantem a igualdade entre
homens e mulheres no mercado de trabalho (PLs 6653/09 e 4857/09) sejam levados a votação no Plenário.
Segundo a relatora da matéria, deputada Iriny Lopes (PT-ES), três
pontos das propostas poderão encontrar resistência entre os
parlamentares. São eles: a criação de comitês pró-igualdade entre os
sexos no ambiente de trabalho, o acesso dessas comissões a informações
das firmas e ainda a criação de um cadastro das empresas que discriminam
mulheres.
Os pontos, disse Iriny, são polêmicos porque envolvem questões
trabalhistas. Conforme o texto, o comitê que promoverá a igualdade e
investigará denúncias de assédio moral ou sexual, por exemplo, será
composto por homens e mulheres que terão estabilidade no emprego
enquanto participarem do grupo. Para realizar suas atividades, esse
comitê terá acesso garantido a informações de empresas, que poderão
entrar para um cadastro negativo caso não cumpram o que estabelece a
lei.
A banca feminina
queria que as propostas tivessem sido votadas na quarta-feira (7), como
parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher. A relatora, no
entanto, sugeriu a retirada de pauta, e os líderes partidários
concordaram em analisar a matéria na próxima semana. “Não houve tempo
para que as lideranças discutissem o substitutivo elaborado na tarde de
quarta,” afirma.
Iriny Lopes explica que havia sido designada relatora das propostas
naquele mesmo dia. Ela se reuniu às pressas com representantes de
partidos para elaborar o texto que deverá ser votado, mas achou mais
seguro o adiamento.
Na próxima semana, a deputada tentará sistematizar o que já foi
discutido e voltará a conversar com líderes. “Interessa que a votação
leve à aprovação. Quero criar condições para isso”, acrescentou.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
8 de março de 2012
PPS incentiva candidatura de mulheres nas eleições.
Renata Bueno, candidata do PPS em Curitiba
Em São Paulo, o partido disputará a prefeitura com a ex-vereadora Soninha Francine, que na última pesquisa Datafolha chegou a alcançar 11% da preferência do eleitorado, figurando entre o 3º e o 5º lugar na disputa.
Renata Bueno será o nome do PPS em Curitiba. Vereadora de primeiro mandato, ela vem se destacando na vigilância dos gastos públicos e em áreas como educação e cultura.
Em São Luís do Maranhão, a pré-candidata do partido é a deputada estadual Eliziane Gama. Com forte atuação na área social, a parlamentar vem costurando alianças com outras legendas.
Ex-secretária de Trabalho de Alagoas, a defensora pública Nadja Baía já foi indicada pelo partido para disputar a prefeitura de Maceió. A movimentação pré-eleitoral em torno de seu nome já está nas ruas.
Na capital mineira, a deputada estadual Luzia Ferreira também vem sendo sondada para disputar a prefeitura. Ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Luzia é uma das militantes mais experientes do PPS e preside a legenda no estado.
O PPS também já confirmou que terá pelo menos 30% de mulheres em suas chapas de candidatos a vereador.
Para a deputada federal Carmen Zanotto (PPS-SC), ainda há um grande caminho a se percorrer na luta por mais espaço para as mulheres na política. “No entanto, o PPS já está mostrando na prática que vem se esforçando para isso. O exemplo é o grande número de mulheres que estão dispostas a disputar a eleição”, afirma.
Fonte: http://www.robertofreire.org.br/site/noticias/item/719-partido-lan%C3%A7a-5-mulheres-nas-capitais
7 de março de 2012
Primeira mulher a comandar uma UPP é recebe premio internacional
Ela é negra, corpo seco e musculoso, cabelos sempre presos num coque bem apertado e, de enfeites, apenas gloss e discretos brincos nas orelhas. Tem 1,65 metro e não deve pesar muito mais do que 60 quilos. Não fosse por uma certa dureza, logo notada, a major da Polícia Militar Pricilla, de 34 anos, poderia até ser descrita como uma mulher de aparência frágil. Engano. Depois de expulsar o tráfico do Morro Dona Marta, em Botafogo, como primeira comandante de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio, ela ligou na terça-feira dos EUA, na hora do almoço, para contar ao secretário de Segurança, José Beltrame, outro feito. Meio sem jeito, disse que era uma das dez vencedoras do Prêmio Internacional Mulheres de Coragem 2012.
— Você é uma guerreira! — explodiu Beltrame ao telefone.
Não era para menos. Em 2008, ele colocara nas mãos de uma oficial da PM, ignorando resquícios machistas, o mais importante programa de segurança do governo.
Beltrame não esconde de ninguém a admiração que tem pela história de Pricilla de Oliveira Azevedo, de origem humilde, parecida com a dos moradores da comunidade que protegeu por três anos. No início, chegou a andar de fuzil pelas vielas. Depois da pacificação, adotou a pistola. Mas a arma da major sempre foi mesmo a conversa. Junto com a repreensão no olhar, era imbatível. Pode parecer politicamente correta, mas, dizem, que se transformava em operações policiais. Com a adrenalina, sobravam até palavrões.
Mulher coragem. O título faz sentido. Em 2007, ela sofreu um sequestro-relâmpago. Foi levada com uma arma enfiada na boca até uma favela em Niterói. Quando a identificaram como policial, ela apanhou. Na cara. E muito. Ficou cheia de hematomas. Mas conseguiu fugir. Catou um por um seus detratores; só falta um. Um dia chega o dia dele.
Estudante de direito, a major — que deixou até afilhados na favela; e quantas Pricillas sem S não nasceram depois de sua passagem por lá? — só saiu do Dona Marta para assumir o desafio de cuidar de todos os projetos estratégicos da pasta. Claro que o foco principal são as UPPs.
O prêmio é um luxo para Pricilla, evangélica da Assembleia de Deus, criada no subúrbio. Será entregue na quinta-feira, Dia Internacional da Mulher, pela secretária de estado americana, Hillary Clinton, em Washington. E terá como convidada especial ninguém menos que a primeira-dama Michelle Obama. Pricilla também deverá ser cumprimentada por Leymah Gbowee e Tawakkol Karman, que ganharam o Prêmio Nobel da Paz de 2011. O evento será no Auditório Dean Acheson do Departamento de Estado dos EUA. Em comum entre as premiadas, ações na área de direitos humanos, caso de Samar Badawi, ativista política da Arábia Saudita, ou de Hawa Abdallah Mohammed Salih, do Sudão.
Prova que Pricilla entrou na vida do Dona Marta definitivamente foi a reação do presidente da associação de moradores, José Mário, ao saber na terça-feira que ela ganhara o prêmio.
— Vou mandar um e-mail para ela agora mesmo — adiantou-se. — A Pricilla era durona, mas ganhou a gente se interessando de verdade pelos problemas das pessoas, conversando com pais para resgatar jovens do crime. Quando foi homenageada na quadra da favela, ela não segurou as lágrimas. Guardo até hoje, e acho que todo mundo do morro também, a imagem das crianças secando o rosto dela.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/primeira-mulher-comandar-uma-upp-uma-das-dez-ganhar-premio-internacional-nos-eua-4235036#ixzz1oRnYGWNF
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Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/primeira-mulher-comandar-uma-upp-uma-das-dez-ganhar-premio-internacional-nos-eua-4235036
CPMI que investiga violência contra a mulher visitará 14 estados
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a
violência contra a mulher aprovou ontem (06/03) o plano de trabalho, proposto à
comissão pela relatora, senadora Ana Rita (PT-ES). Entre as ações
previstas no cronograma, está a realização de audiências públicas em 14
estados, até o início de junho, para discutir o andamento da aplicação
da Lei Maria da Penha (11.340/06).
O grupo decidiu iniciar suas investigações pelos estados da Região Nordeste, a começar por Alagoas, que será visitado no início de abril. O estado é o segundo no ranking da violência contra as mulheres no País. “Alagoas só fica atrás do Espírito Santo nesse ranking, mas vamos deixar os estados do Sudeste para a fase final dos trabalhos”, explicou Ana Rita.
O cronograma de trabalho estabelece a votação do relatório final da CPMI para o dia 7 de agosto, mesma data em que são comemorados os seis anos da Lei Maria da Penha.
Investigações - Segundo a relatora, o foco do trabalho da comissão será investigar a atuação das instituições responsáveis por coibir a violência contra a mulher. Ela afirmou que em todo o País existem apenas cerca de 400 delegacias especializadas.
A intenção é mapear os últimos cinco anos para saber quantos registros de agressão foram feitos nesse período, quantos se transformaram em inquéritos policiais, quantos foram encaminhados para o Ministério Público, além do número de processos concluídos e de agressores punidos.
A presidente da CPMI, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), destacou a falta de estrutura para atender as vítimas de violência. “Em vários estados não existem varas especializadas. Além disso, as delegacias que atendem a mulher ainda são em número muito reduzido, concentradas nas capitais, e sequer temos defensorias públicas na maioria dos estados. Temos ainda uma enorme dificuldade com a falta de pessoal, de recursos humanos”, lamentou.
Ranking - Segundo estudo do Instituto Sangari, o assassinato de mulheres no Brasil é bem superior à média mundial. Em um ranking de 73 países, o Brasil é o 12º com a maior taxa desse tipo de homicídio. O País aparece atrás de México, África do Sul e Suriname.
Fonte: http://www.camara.gov.br/internet/jornalcamara/default.asp?selecao=materia&codMat=69990&codjor=
O grupo decidiu iniciar suas investigações pelos estados da Região Nordeste, a começar por Alagoas, que será visitado no início de abril. O estado é o segundo no ranking da violência contra as mulheres no País. “Alagoas só fica atrás do Espírito Santo nesse ranking, mas vamos deixar os estados do Sudeste para a fase final dos trabalhos”, explicou Ana Rita.
O cronograma de trabalho estabelece a votação do relatório final da CPMI para o dia 7 de agosto, mesma data em que são comemorados os seis anos da Lei Maria da Penha.
Investigações - Segundo a relatora, o foco do trabalho da comissão será investigar a atuação das instituições responsáveis por coibir a violência contra a mulher. Ela afirmou que em todo o País existem apenas cerca de 400 delegacias especializadas.
A intenção é mapear os últimos cinco anos para saber quantos registros de agressão foram feitos nesse período, quantos se transformaram em inquéritos policiais, quantos foram encaminhados para o Ministério Público, além do número de processos concluídos e de agressores punidos.
A presidente da CPMI, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), destacou a falta de estrutura para atender as vítimas de violência. “Em vários estados não existem varas especializadas. Além disso, as delegacias que atendem a mulher ainda são em número muito reduzido, concentradas nas capitais, e sequer temos defensorias públicas na maioria dos estados. Temos ainda uma enorme dificuldade com a falta de pessoal, de recursos humanos”, lamentou.
Ranking - Segundo estudo do Instituto Sangari, o assassinato de mulheres no Brasil é bem superior à média mundial. Em um ranking de 73 países, o Brasil é o 12º com a maior taxa desse tipo de homicídio. O País aparece atrás de México, África do Sul e Suriname.
Fonte: http://www.camara.gov.br/internet/jornalcamara/default.asp?selecao=materia&codMat=69990&codjor=
Mulheres tem luta desigual no espaço político
Os 80 anos da conquista do voto feminino foram comemorados ontem, na
Câmara dos Deputados, com evento que reuniu ministras e parlamentares de
todo o país. Um seminário, organizado pela Procuradoria da Mulher da
Câmara, lembrou que, passadas oito décadas desde que as brasileiras
conquistaram o direito de votar, ainda é insignificante a participação
das mulheres na política. Um exemplo é a bancada federal do Pará, que,
de um total de 20 parlamentares, tem apenas uma deputada representando
as mulheres paraenses.
E foi a própria deputada Elcione Barbalho (PMDB), que é Procuradora da Mulher da Câmara, quem sugeriu a realização do seminário, que teve também a divulgação do relatório “Igualdade de Gênero e Desenvolvimento”, feito pelo Banco Mundial e apresentado pelo vice-presidente do Departamento de Redução da Pobreza e Gestão Econômica da instituição, Otaviano Canuto.
Na avaliação do banco, o avanço das mulheres na política tem sido lento e permanece abaixo do nível em todo o mundo, não sendo considerado suficiente para garantir a voz feminina nas grandes decisões.
Pelos estudos da instituição, em 1995, as mulheres representavam em todo o mundo cerca de 10% dos membros das casas legislativas e, em 2009, 17%. Motivo: são menos engajadas na política, com taxas de filiação partidária que não chega à metade das dos homens.
POLÍTICA DESIGUAL
Conforme o relatório, quando as mulheres entram na arena política, tendem a permanecer nas fileiras mais baixas e para atuar em setores entendidos como “femininos”. Elas também comandam mais os ministérios da Saúde, da Educação ou de Assistência Social, em vez das pastas de Economia ou Finanças. De qualquer forma, a proporção de mulheres nos ministérios aumentou de 8%, em 1998, para 17% em 2008. No Brasil de hoje, duas pastas estratégicas estão sob o comando feminino: Casa Civil, com Gleise Hofmann, e Relações Institucionais, com Ideli Salvati, além da representatividade da primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff.
Independente dos avanços para reduzir as desigualdades com os homens, as mulheres têm influência muito limitada na política nos países em geral. Embora votem, não conseguem ingressar nos partidos políticos e nos parlamentos como os homens. Poucas nações têm restrições legais para que elas concorram a um cargo público, mas o número de pessoas do sexo feminino com assentos nos parlamentos é muito baixo. No Brasil, representam apenas 15,31% do Congresso e 9% delas estão entre os 100 parlamentares mais influentes do Senado e da Câmara dos Deputados, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
“Passou muito tempo, quase 80 anos, para que conseguíssemos, apenas em 2010, eleger a primeira presidente da República. Somos sub-representadas no Congresso, nos sindicatos e nos partidos políticos”, lembrou a deputada Luiza Erundina (PSB-SP). Ela é autora da Proposta de Emenda à Constituição que reserva uma vaga nas mesas diretoras da Câmara e do Senado e nas comissões do Congresso para mulheres. A PEC aguarda análise do Plenário. Na opinião de Erundina, a sub-representação política das mulheres repercute em áreas como saúde, trabalho e educação.
SALÁRIO DESIGUAL
Outro ponto destacado pelo relatório foi que as mulheres brasileiras recebem, em média, 73% menos que os homens, mesmo tendo as mesmas qualificações profissionais e nível educacional. “O relatório demonstra aquilo que estamos lutando para combater, que é a desigualdade existente nos salários pagos às mulheres em relação aos homens, mesmo que elas tenham níveis social e educacional iguais ou superiores. Nós, mulheres brasileiras, lideramos os índices de inserção no mercado de trabalho em toda América Latina. No entanto, apresentamos um dos piores cenários mundiais no mercado de trabalho e é por isso que lutamos pela igualdade de direitos das mulheres”, reforçou a deputada Elcione Barbalho.
Segundo ela, uma das prioridades da bancada feminina na Câmara dos Deputados é votar o projeto de lei, de autoria da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), que cria mecanismos para garantir a igualdade entre mulheres e homens e coíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho.
Otaviano Canuto destacou que manter as desigualdades entre homens e mulheres, além de ser moralmente condenável, é também uma “burrice econômica”. Segundo ele, o estudo do Banco Mundial mostra que a produtividade de um país pode subir em até 25% apenas com a eliminação das desigualdades no emprego. “Se as mulheres que atuam na agricultura tivessem acesso igual a insumos – terra e fertilizantes – o produto agrícola subiria em até 4%”, acrescentou.
E foi a própria deputada Elcione Barbalho (PMDB), que é Procuradora da Mulher da Câmara, quem sugeriu a realização do seminário, que teve também a divulgação do relatório “Igualdade de Gênero e Desenvolvimento”, feito pelo Banco Mundial e apresentado pelo vice-presidente do Departamento de Redução da Pobreza e Gestão Econômica da instituição, Otaviano Canuto.
Na avaliação do banco, o avanço das mulheres na política tem sido lento e permanece abaixo do nível em todo o mundo, não sendo considerado suficiente para garantir a voz feminina nas grandes decisões.
Pelos estudos da instituição, em 1995, as mulheres representavam em todo o mundo cerca de 10% dos membros das casas legislativas e, em 2009, 17%. Motivo: são menos engajadas na política, com taxas de filiação partidária que não chega à metade das dos homens.
POLÍTICA DESIGUAL
Conforme o relatório, quando as mulheres entram na arena política, tendem a permanecer nas fileiras mais baixas e para atuar em setores entendidos como “femininos”. Elas também comandam mais os ministérios da Saúde, da Educação ou de Assistência Social, em vez das pastas de Economia ou Finanças. De qualquer forma, a proporção de mulheres nos ministérios aumentou de 8%, em 1998, para 17% em 2008. No Brasil de hoje, duas pastas estratégicas estão sob o comando feminino: Casa Civil, com Gleise Hofmann, e Relações Institucionais, com Ideli Salvati, além da representatividade da primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff.
Independente dos avanços para reduzir as desigualdades com os homens, as mulheres têm influência muito limitada na política nos países em geral. Embora votem, não conseguem ingressar nos partidos políticos e nos parlamentos como os homens. Poucas nações têm restrições legais para que elas concorram a um cargo público, mas o número de pessoas do sexo feminino com assentos nos parlamentos é muito baixo. No Brasil, representam apenas 15,31% do Congresso e 9% delas estão entre os 100 parlamentares mais influentes do Senado e da Câmara dos Deputados, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
“Passou muito tempo, quase 80 anos, para que conseguíssemos, apenas em 2010, eleger a primeira presidente da República. Somos sub-representadas no Congresso, nos sindicatos e nos partidos políticos”, lembrou a deputada Luiza Erundina (PSB-SP). Ela é autora da Proposta de Emenda à Constituição que reserva uma vaga nas mesas diretoras da Câmara e do Senado e nas comissões do Congresso para mulheres. A PEC aguarda análise do Plenário. Na opinião de Erundina, a sub-representação política das mulheres repercute em áreas como saúde, trabalho e educação.
SALÁRIO DESIGUAL
Outro ponto destacado pelo relatório foi que as mulheres brasileiras recebem, em média, 73% menos que os homens, mesmo tendo as mesmas qualificações profissionais e nível educacional. “O relatório demonstra aquilo que estamos lutando para combater, que é a desigualdade existente nos salários pagos às mulheres em relação aos homens, mesmo que elas tenham níveis social e educacional iguais ou superiores. Nós, mulheres brasileiras, lideramos os índices de inserção no mercado de trabalho em toda América Latina. No entanto, apresentamos um dos piores cenários mundiais no mercado de trabalho e é por isso que lutamos pela igualdade de direitos das mulheres”, reforçou a deputada Elcione Barbalho.
Segundo ela, uma das prioridades da bancada feminina na Câmara dos Deputados é votar o projeto de lei, de autoria da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), que cria mecanismos para garantir a igualdade entre mulheres e homens e coíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho.
Otaviano Canuto destacou que manter as desigualdades entre homens e mulheres, além de ser moralmente condenável, é também uma “burrice econômica”. Segundo ele, o estudo do Banco Mundial mostra que a produtividade de um país pode subir em até 25% apenas com a eliminação das desigualdades no emprego. “Se as mulheres que atuam na agricultura tivessem acesso igual a insumos – terra e fertilizantes – o produto agrícola subiria em até 4%”, acrescentou.
Fonte: Diário do Pará
6 de março de 2012
Congresso aprova multa a empresa que pagar salário menor a mulher
O Senado aprovou nesta terça-feira projeto que multa as empresas que
pagarem às mulheres salários inferiores aos dos homens quando ambos
ocuparem as mesmas funções. A multa estipulada pelo projeto é de cinco vezes a diferença entre os
salários durante todo o período de contratação da funcionária.
Como a proposta foi aprovada em caráter terminativo pela Comissão de
Direitos Humanos no Senado, e já foi aprovada na Câmara, segue para
sanção da presidente Dilma Rousseff --se não houver pedido para que seja
votada no plenário da Casa.
Relator do projeto na comissão, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que a
multa obriga as empresas a pagarem às mulheres salários equivalentes
aos dos homens como forma de acabar com a discriminação entre os sexos.
"A iniciativa é bem-vinda pois se revela com grande sensibilidade social
e política com uma causa justa, já que consistirá numa ferramenta
jurídica a efetivar o princípio de igualdade de todos perante a lei de
homens e mulheres em direitos e obrigações", disse Paim.
Segundo o senador, a multa não sofre desatualização monetária --o que facilita a sua aplicação.
"O valor é proporcional ao agravo, tem caráter pedagógico bastante
perceptível por guardar estreita vinculação com as consequências do ato
discriminatório e inova ao estabelecer que o seu valor será revertido em
favor da empregada discriminada", afirmou Paim.
O relator afirma que a proposta não é inconstitucional, uma vez que a
legislação brasileira prevê a "igualdade de todos perante a lei" entre
os direitos fundamentais da Constituição Federal.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1057859-congresso-aprova-multa-a-empresa-que-pagar-salario-menor-a-mulher.shtml
ONU Mulheres financia projetos de empoderamento feminino
A
ONU Mulheres vai doar dez milhões e meio de dólares para organizações
dedicadas ao progresso econômico e ao poder político de mulheres na
África, Ásia, Europa e América Latina.
As doações começam com 200 mil dólares para iniciativas que resultam em melhorias tangíveis nas vidas de mulheres e meninas – desde iniciativas que apoiam mulheres candidatas a cargos públicos de alto escalão à gestão de recursos para mulheres que sustentam suas próprias famílias.
A diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet diz que o investimento é essencial para as mulheres e para a promoção da democracia de gênero, igualdade e crescimento econômico inclusivo.
As propostas aprovadas serão anunciados em outubro. O anúncio foi feito durante a Comissão das Nações Unidas sobre a Situação das Mulheres que se reúne em Nova York até 9 de março.
A ONU Mulheres é a agência das Nações Unidas é responsável por promover a autonomia feminina e avanços da política de gênero. (ONU)
As doações começam com 200 mil dólares para iniciativas que resultam em melhorias tangíveis nas vidas de mulheres e meninas – desde iniciativas que apoiam mulheres candidatas a cargos públicos de alto escalão à gestão de recursos para mulheres que sustentam suas próprias famílias.
A diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet diz que o investimento é essencial para as mulheres e para a promoção da democracia de gênero, igualdade e crescimento econômico inclusivo.
As propostas aprovadas serão anunciados em outubro. O anúncio foi feito durante a Comissão das Nações Unidas sobre a Situação das Mulheres que se reúne em Nova York até 9 de março.
A ONU Mulheres é a agência das Nações Unidas é responsável por promover a autonomia feminina e avanços da política de gênero. (ONU)
Fonte: http://www.oecumene.radiovaticana.org/bra/articolo.asp?c=568769
Apenas 19% dos altos cargos são ocupados por mulheres
O estudo da Mercer sobre a taxa de ocupação dos cargos executivos e de
gestão por mulheres e homens revela que na Europa 19% destes cargos são
ocupados por mulheres. A divulgação destes dados insere-se no
âmbito do Dia Internacional da Mulher, dia 8 de Março, e pretende também
destacar o empenho por parte da União Europeia em potenciar o número de mulheres a ascender a cargos superiores nas empresas.
Os homens continuam assim a ter maior percentagem de ocupação de altos cargos, na ordem dos 71%, de acordo com o estudo da consultora internacional de gestão e investimentos. Portugal ocupa a 19ª posição no ranking dos países com a maior representação feminina em cargos executivos.
O estudo analisou dados de 264 mil executivos e gestores de topo em 5.321 empresas, e considera que um cargo executivo corresponde a um membro da administração da empresa, enquanto que um cargo de gestão corresponde a um cargo de responsável de uma operação num determinado país ou de uma unidade de negócio.
"Para um género que abrange mais de metade da população mundial, a representação feminina em cargos empresariais de topo é muito baixa. A causa desta situação é complexa e deve-se sobretudo a questões culturais e sociais. Nalguns casos representa uma discriminação intencional, mas poderá ser inconsciente, representando o desejo de contratar um semelhante. O resultado final de todas estas questões é a criação de uma estrutura imparcial para as mulheres na vida empresarial", disse Mónica Santiago, Sénior Partner da Mercer.
"A carreira de uma mulher também sofre uma 'penalização com a maternidade' aos olhos dos empregadores, pela prioridade dada aos deveres maternais em detrimento do trabalho. A cultura empresarial desempenha um papel importantíssimo na decisão das mulheres em excluírem-se da vida empresarial. Se a cultura da empresa em relação aos detentores de cargos de topo passar por uma expectativa de um determinado comportamento, incluindo dar prioridade ao trabalho em detrimento de compromissos familiares, as mulheres muitas vezes optam por virar costas ao progresso na carreira", acrescentou a mesma responsável.
Segundo o estudo sobre o desenvolvimento da liderança feminina, realizado em conjunto com as revistas "Talent Management" e "Diversity Executive", "em 2010, não obstante os esforços das organizações para alcançarem uma mão-de-obra diversificada, a maioria – 71% –, não possui uma estratégia ou filosofia claramente definida para a evolução e integração das mulheres em cargos de liderança, sabendo o papel importante que detêm nas decisões de consumo", revela a Mercer.
"A representação feminina nos Conselhos de Administração das empresas é uma questão central e há uma grande polémica na UE em matéria de diversidade. Naturalmente, não se trata apenas de uma questão de género, apesar de a discriminação ser nefasta sob qualquer forma. Trata-se também de uma questão de talento, pois este tipo de parcialidade numa empresa limita o grupo de candidatos e o conjunto de competências. Uma mão-de-obra mais diversificada proporciona o aumento da inovação e a criatividade."
O estudo revela ainda o impacto dos factores culturais, apresentando como exemplo a Arábia Saúdita, onde não há mulheres em cargos de topo. O Qatar encontra-se em penúltimo lugar na lista, com apenas 7% dos cargos a serem desempenhados por mulheres.
Também os Países Baixos ocupam uma posição muito próxima. "A percentagem dos Países Baixos sugere que se trata de um país muito conservador na sua abordagem à igualdade no local de trabalho", explica Mónica Santiago.
O estudo da Mercer revela que a União Europeia está empenhada em enfrentar a desigualdade de géneros e a disparidade salarial entre homens e mulheres no âmbito do Plano de Acção em Matéria de Igualdade entre Géneros.
Segundo o estudo, os países do antigo bloco soviético apresentam os níveis mais elevados de participação feminina e igualdade na Europa. "A igualdade é um legado dos tempos soviéticos, durante os quais a vida cultural e política encorajava as mulheres a desempenhar um papel igual na sociedade e na economia, pelo que as mulheres estão bem representadas", realçou Mónica Santiago.
"Na Europa Ocidental, os países com a maior proporção de mulheres em posições executivas entre os países estudados são a Grécia e a Irlanda (33%), seguidas da Suécia (30%) e da Bélgica (29%). Espanha, Reino Unido e França apresentaram 28% de representação feminina. Seguiram-se a Dinamarca e Portugal (27%), Finlândia, Suíça e Noruega (25%), Itália (22%), Áustria (21%), Alemanha (20%) e os Países Baixos (19%)".
"Há vários anos que estão implementados sistemas de quotas com vista a aumentar a representação feminina a nível empresarial em países como Espanha, Noruega, França, Bélgica e Itália", avança o estudo.
Já na Europa Central e de Leste a divisão entre representação executiva feminina e masculina é mais igualitária na Lituânia, onde 44% dos executivos são mulheres, seguida da Bulgária, com 43%, Federação Russa, com 40%, e Estónia e Cazaquistão, com 37%.
"Os países com a representação feminina mais elevada são a Sérvia (36%), a Ucrânia (35%), a Roménia (34%), a Hungria (33%), a Polónia (30%), a Eslováquia (30%) e a República Checa (27%)."
No Médio Oriente, as mulheres representam 26% da mão-de-obra executiva, 23% em Marrocos, 17% nos Emirados Árabes Unidos, 16% no Egipto e 7% no Qatar. Na Arábia Saudita não há registo de qualquer participação feminina.
"Por vezes, em momentos de crescimento económico recente, verificámos que muitas empresas deram instruções específicas a 'head hunters' no sentido de recrutarem mais mulheres executivas", diz Mónica Santiago. "Esta tendência desvaneceu-se com a deterioração da economia, sugerindo que muitas empresas consideram este recrutamento um luxo. A incapacidade das empresas para melhorarem a representação feminina irá simplesmente levar os governos a regularem a questão para efectivar a mudança", conclui Mónica Santiago.
Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=542369
Os homens continuam assim a ter maior percentagem de ocupação de altos cargos, na ordem dos 71%, de acordo com o estudo da consultora internacional de gestão e investimentos. Portugal ocupa a 19ª posição no ranking dos países com a maior representação feminina em cargos executivos.
O estudo analisou dados de 264 mil executivos e gestores de topo em 5.321 empresas, e considera que um cargo executivo corresponde a um membro da administração da empresa, enquanto que um cargo de gestão corresponde a um cargo de responsável de uma operação num determinado país ou de uma unidade de negócio.
"Para um género que abrange mais de metade da população mundial, a representação feminina em cargos empresariais de topo é muito baixa. A causa desta situação é complexa e deve-se sobretudo a questões culturais e sociais. Nalguns casos representa uma discriminação intencional, mas poderá ser inconsciente, representando o desejo de contratar um semelhante. O resultado final de todas estas questões é a criação de uma estrutura imparcial para as mulheres na vida empresarial", disse Mónica Santiago, Sénior Partner da Mercer.
"A carreira de uma mulher também sofre uma 'penalização com a maternidade' aos olhos dos empregadores, pela prioridade dada aos deveres maternais em detrimento do trabalho. A cultura empresarial desempenha um papel importantíssimo na decisão das mulheres em excluírem-se da vida empresarial. Se a cultura da empresa em relação aos detentores de cargos de topo passar por uma expectativa de um determinado comportamento, incluindo dar prioridade ao trabalho em detrimento de compromissos familiares, as mulheres muitas vezes optam por virar costas ao progresso na carreira", acrescentou a mesma responsável.
Segundo o estudo sobre o desenvolvimento da liderança feminina, realizado em conjunto com as revistas "Talent Management" e "Diversity Executive", "em 2010, não obstante os esforços das organizações para alcançarem uma mão-de-obra diversificada, a maioria – 71% –, não possui uma estratégia ou filosofia claramente definida para a evolução e integração das mulheres em cargos de liderança, sabendo o papel importante que detêm nas decisões de consumo", revela a Mercer.
"A representação feminina nos Conselhos de Administração das empresas é uma questão central e há uma grande polémica na UE em matéria de diversidade. Naturalmente, não se trata apenas de uma questão de género, apesar de a discriminação ser nefasta sob qualquer forma. Trata-se também de uma questão de talento, pois este tipo de parcialidade numa empresa limita o grupo de candidatos e o conjunto de competências. Uma mão-de-obra mais diversificada proporciona o aumento da inovação e a criatividade."
O estudo revela ainda o impacto dos factores culturais, apresentando como exemplo a Arábia Saúdita, onde não há mulheres em cargos de topo. O Qatar encontra-se em penúltimo lugar na lista, com apenas 7% dos cargos a serem desempenhados por mulheres.
Também os Países Baixos ocupam uma posição muito próxima. "A percentagem dos Países Baixos sugere que se trata de um país muito conservador na sua abordagem à igualdade no local de trabalho", explica Mónica Santiago.
O estudo da Mercer revela que a União Europeia está empenhada em enfrentar a desigualdade de géneros e a disparidade salarial entre homens e mulheres no âmbito do Plano de Acção em Matéria de Igualdade entre Géneros.
Segundo o estudo, os países do antigo bloco soviético apresentam os níveis mais elevados de participação feminina e igualdade na Europa. "A igualdade é um legado dos tempos soviéticos, durante os quais a vida cultural e política encorajava as mulheres a desempenhar um papel igual na sociedade e na economia, pelo que as mulheres estão bem representadas", realçou Mónica Santiago.
"Na Europa Ocidental, os países com a maior proporção de mulheres em posições executivas entre os países estudados são a Grécia e a Irlanda (33%), seguidas da Suécia (30%) e da Bélgica (29%). Espanha, Reino Unido e França apresentaram 28% de representação feminina. Seguiram-se a Dinamarca e Portugal (27%), Finlândia, Suíça e Noruega (25%), Itália (22%), Áustria (21%), Alemanha (20%) e os Países Baixos (19%)".
"Há vários anos que estão implementados sistemas de quotas com vista a aumentar a representação feminina a nível empresarial em países como Espanha, Noruega, França, Bélgica e Itália", avança o estudo.
Já na Europa Central e de Leste a divisão entre representação executiva feminina e masculina é mais igualitária na Lituânia, onde 44% dos executivos são mulheres, seguida da Bulgária, com 43%, Federação Russa, com 40%, e Estónia e Cazaquistão, com 37%.
"Os países com a representação feminina mais elevada são a Sérvia (36%), a Ucrânia (35%), a Roménia (34%), a Hungria (33%), a Polónia (30%), a Eslováquia (30%) e a República Checa (27%)."
No Médio Oriente, as mulheres representam 26% da mão-de-obra executiva, 23% em Marrocos, 17% nos Emirados Árabes Unidos, 16% no Egipto e 7% no Qatar. Na Arábia Saudita não há registo de qualquer participação feminina.
"Por vezes, em momentos de crescimento económico recente, verificámos que muitas empresas deram instruções específicas a 'head hunters' no sentido de recrutarem mais mulheres executivas", diz Mónica Santiago. "Esta tendência desvaneceu-se com a deterioração da economia, sugerindo que muitas empresas consideram este recrutamento um luxo. A incapacidade das empresas para melhorarem a representação feminina irá simplesmente levar os governos a regularem a questão para efectivar a mudança", conclui Mónica Santiago.
Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=542369
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